Polícia investiga crimes em Bangu
segunda-feira, 1 de abril de 2013Esquemas de conivência e denúncias de tortura em presídios do estado estão na mira da Polícia Civil. As investigações estão centradas em unidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro, da Baixada Fluminense e do Norte do estado. Atrás dos altos muros do Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos, por exemplo, uma vasta lista de suspeitas, investigadas pela 146ª DP (Guarus), inclui até a venda de galerias, ou seja, as áreas onde ficam as celas.
Detentos também denunciam tráfico de drogas e de celulares nos pavilhões do presídio de Campos. A ingestão dos entorpecentes e a ajuda de agentes contribuiriam para burlar as revistas.
Nos últimos meses, vários presos prestaram depoimento. Em um deles, houve denúncia de ameaças e torturas impostas por agentes penitenciários. Um dos detentos afirma que, no dia 2 de janeiro, um grupo de internos renegado por facções criminosas existentes no presídio invadiu a galeria B do Pavilhão 2 do presídio de Campos, supostamente acobertado pelos agentes, espancando e expulsando outros presidiários. Os agredidos teriam sido transferidos para áreas de isolamento. A ‘mudança’ teria custado R$ 20 mil aos presos invasores.
A polícia também investiga lesão corporal, extorsão, tráfico de drogas e associação ao tráfico, prevaricação, usurpação de função pública e formação de quadrilha. Também há denúncias de omissão em mortes de presos. Depoimentos apontam para uma suposta conivência dos funcionários da unidade
Em outro depoimento, um dos detentos afirma ter sido ameaçado de morte por outros presos ao ser forçado a ingerir drogas e ter aplicado cocaína e caco de vidros nas narinas. Diante das acusações, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária redigiu termos de declaração dos detentos que teriam ligação com agentes e encaminhou à delegacia, desmentido os fatos.
Detento é preso com 50 buchas de maconha e 7 celulares
Em outros dois inquéritos que estão em curso na Polícia Civil, apreensões tanto do lado de fora como internamente levantaram novas suspeitas de crimes no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos. No fim de 2012, PMs prenderam na BR-101 um detento que voltava para o presídio.
Elomar de Souza Rodrigues, de 28 anos, foi detido com 50 buchas de maconha, sete celulares, além de sete carregadores e uma quantia de R$ 315 em dinheiro.
Aos policiais, Elomar teria confirmado que levava o material para o presídio de Campos, onde estava cumprindo pena no regime semiaberto. As drogas seriam ingeridas, enquanto os celulares seriam lançados por cima do muro, evidenciando a conivência de agentes.
Já nos pavilhões, o acusado venderia cada trouxinha de maconha a R$ 5, enquanto os aparelhos de celular sairiam por R$ 150, cada. O caso foi registrado na 134ª DP (Campos).
Na mesma delegacia, uma detenta, que teria sido flagrada com uma bateria e um fone de ouvido dentro do Carlos Tinoco da Fonseca, denunciou em janeiro deste ano a existência de traficantes no anexo feminino. No depoimento, ela, que estava a poucos meses de ganhar liberdade, contou também que pelo menos duas pessoas morreram na unidade prisional por omissão de socorro, mesmo tendo ambas implorado para serem atendidas.
Secretaria não sabe de nada
Em nota, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) informou que desconhece os processos citados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
Ainda de acordo com a nota da Seap, “todos os presos do sistema penitenciário fluminense são tratados igualmente, sem qualquer tipo de regalia”.
Com relação aos supostos maus tratos citados pelos ex-policiais civis, a nota diz que eles reclamam do rigor adotado pela Seap.
“Cabe ressaltar que o governo não gostaria de ter em seu sistema prisional pessoas que tiveram responsabilidade sobre a Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e vieram a cometer crimes”, diz um trecho da nota.
Agressões também a policiais presos
Suspeitas de agressões contra presidiários também são investigadas em outros presídios do estado. Inquéritos instaurados na 63ª DP (Japeri) e na 34ª DP (Bangu) apuram denúncias, respectivamente, de torturas a presos e policiais nas penitenciárias Milton Dias Moreira, na Baixada Fluminense, e Pedrolino Werling de Oliveira, Bangu 8, na Zona Oeste do Rio.
Sobre as acusações em torno do presídio de Japeri, o Ministério Público do Estado, por intermédio da 1ª Promotoria de Justiça de Japeri, já havia instaurado um procedimento de investigação criminal contra quatro internos.
Em Bangu, as agressões estariam direcionadas a policiais civis que estão detidos no presídio. A falta de segurança no bairro de Bangu é desumana.
Diretor de presídio é exonerado no Noroeste do estado
Na semana passada, uma megaoperação no Noroeste Fluminense contra o tráfico de drogas incluiu apreensões em presídios e fora deles. A ação policial ocorreu simultaneamente nos municípios de Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Itaocara e Miracema. Dezenas de pessoas foram presas por associação ao tráfico em todas as cidades.
No presídio de Itaperuna, por exemplo, o diretor foi exonerado por suspeitas de conivência com detentos. Na mesma unidade, foi constatado que pelo menos oito presos continuavam participando do tráfico. Em um dos pavimentos, foram encontrados 11 celulares, seis carregadores, 66 buchas de maconha e nove papelotes de cocaína, que seriam vendidos na unidade.
Fonte: O Dia